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Escrita, teclados e Sonrisal




"Para escrever bem, primeiro você tem que escrever alguma coisa. E para escrever alguma coisa, você deve estar disposto a escrever mal porque, seja o dia que for, você não tem como saber se o que você vai produzir nesse dia será a prosa brilhante ou a luminosa poesia pela qual você anseia, ou um lixo total e completo. Se você não estiver disposto a se arriscar a escrever lixo, você não vai escrever nada." — Rosanne Bane, escritora



Por isso me arrisco, e risco.. Aperto as teclinhas já gastas do meu teclado ergonômico comprado em 2005, numa loja de pc's que nem existe mais... 

Balanço meus dedos freneticamente.. Paro, observo. Ajeito o descanso do punho e volto a mexer meus dedinhos, que produzem um barulho chato, de pele batendo sobre plástico duro. 

Aperto "enter".. 
Começo outra vez. 
Despejo a eferverscência do que "estou" pelas mãos, dedos e unhas.... Impossível fazê-lo de outra forma.

Imagine falar que se sente como um copo d'água meio cheio, após ser derrubado em ti uma pastilha de Sonrisal, e ouvir de si mesmo chiados e borbulhos e gases subindo, descendo, gritando, estourando, e suor frio e embrulho no estômago, e ansiedade e ahhhhh!!  Só sai pelos dedos...  Se for pela boca, a bílis respinga no meio. 

Por isso a escrita é a liberdade que não aprisiona.  

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